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MARCO
Obra
A CARTA (1500)
Autor
Pero Vaz de Caminha
(1437-1500)
CONTEXTO HISTÓRICO
Após o descobrimento
do Brasil, em meados de 1500, a Coroa portuguesa passou a se interessar
pelo país e a enviar expedições colonizadoras,
às quais cabia dar parte ao rei de tudo quanto no seu vasto
território houvesse.
A adoção
do sistema de capitanias hereditárias, a expedição
de Martim Afonso e o estabelecimento do governo geral, em 1549,
em Salvador, na Bahia, foram fatos marcantes no processo de colonização
do Brasil. Com o primeiro governador geral, Tomé de Souza,
chegaram os primeiros jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega,
com a missão de catequizar o indígena, marcando o
início da organização da vida administrativa,
econômica, política, militar, espiritual e social do
Brasil-Colônia.
CARACTERÍSTICAS
No cumprimento de
suas tarefas, portugueses colonizadores, jesuítas, viajantes
aventureiros dão origem às primeiras manifestações
literárias do período, cujas primeiras obras são
predominantemente informativas. Seus textos, marcados pela subjetividade
cultural do europeu, descrevem a fauna, a flora, os habitantes nativos
e as condições de vida na terra recém-descoberta.
Apesar de não ser considerada literária, essa crônica
histórica tem seu valor, pois além da linguagem e
da visão de mundo dos primeiros observadores do país,
revelam as condições primitivas de uma cultura nascente.
Nesse primeiro século
da nossa formação, a literatura informativa do colonizador
português é representada inicialmente pela Carta de
Pero Vaz de Caminha, relatando o descobrimento do Brasil a D.Manuel.
Historicamente, é uma verdadeira certidão de nascimento
do país e dá início a um período de
três séculos na nossa literatura: o Período
Colonial, que inclui, além do Quinhentismo, o Barroco e o
Arcadismo.
Outro documento da
época é O Diário da Navegação
(1530) de Pero Lopes de Souza. Não é tão importante
como a carta de Caminha, mas enquadra-se nas crônicas de viagens,
prestando informações a futuros colonizadores e exploradores
de Portugal. Sem muitos dados históricos, relata a expedição
de Martim Afonso de Souza ao Brasil, em 1530, como também
o comando de Pero Lopes no retorno da esquadra a Portugal. Apenas
em uma ou outra passagem, faz alguma referência histórica,
ressaltando a beleza da terra e de seus habitantes. Narra eventos
e aponta observações náuticas e geográficas,
o que o torna um documento de interesse para a história marítima
de Portugal e para a da colonização do Brasil.
Essencialmente informativas,
as obras: História da Província de Santa Cruz a que
Vulgarmente Chamamos Brasil (1576) e Tratado da Terra do Brasil,
publicado somente em 1826, de Pero de Magalhães de Gândavo,
e Tratado Descritivo do Brasil em 1587 (1587), de Gabriel Soares
de Souza, inauguram atitudes e lançam sugestões temáticas.
Manifestações que serão retomadas por alguns
escritores brasileiros pertencentes ao Modernismo , tais como Oswald
de Andrade (Pau-Brasil) e Mário de Andrade (Macunaíma).
O trabalho informativo,
pedagógico e moral dos jesuítas tem como expoentes
as obras dos padres Manuel da Nóbrega, Fernão Cardim
e José de Anchieta. Nóbrega, com a carta noticiando
sua chegada ao território brasileiro, inaugura, em 1549,
a literatura informativa dos jesuítas. Além da vasta
correspondência em que relata o andamento da catequese e da
obra pedagógica a outros membros da Companhia de Jesus, escreve
o Diálogo Sobre a Conversão do Gentio (1557), única
obra planejada e com valor literário reconhecível.
Nela, sua intenção é convencer os próprios
jesuítas do significado humano e cristão da catequese.
As obras de Cardim
Do Clima e Terra do Brasil e de Algumas Coisas Notáveis que
se Acham Assim na Terra como no Mar; Do Princípio e Origem
dos Índios do Brasil e de Seus Costumes, Adoração
e Cerimônias, Narrativa Epistolar de Uma Viagem e Missão
Jesuítica revelam um certo planejamento literário,
independentemente da informação epistolar.
Quanto à valorização
literária, José de Anchieta destaca-se como o único
autor desta época cuja produção extrapola o
caráter meramente histórico. Escreveu poemas líricos,
épicos, autos, cartas, sermões e uma pequena gramática
da língua tupi. Além do caráter informativo
e educacional, algumas de suas criações literárias
visavam, apenas, satisfazer sua vida espiritual.
BIBLIOGRAFIA
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MARCO
Obra
PROSOPOPÉIA
(1601)
Autor
Bento Teixeira (1561-1600)
CONTEXTO HISTÓRICO
O Barroco ou Seiscentismo
denomina todas as manifestações artísticas
do século XVII e início do XVIII e, na literatura,
é reflexo nítido de uma época profundamente
angustiada. Nesse período, a Reforma de Lutero e Calvino
dividiu os cristãos Europeus e, na tentativa de evitar a
perda de fiéis, a Igreja Católica criou instituições
florescentes na Península Ibérica, como o movimento
da Contra-Reforma, que fundou a Companhia de Jesus e fortalece a
Inquisição. Assim, enquanto a Europa evoluiu cientificamente,
Portugal e Espanha permaneceram defensores da cultura medieval.
Além disso,
de 1580 a 1640, Portugal, sob o jugo espanhol, enfrentou uma situação
insuportável, o que propiciou um ambiente de pessimismo e
desâni
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mo, sobretudo, para a burguesia, que teve seu poder
restringido pela submissão aos espanhóis e ao poder
da Igreja - Contra-Reforma. A estética Barroca em Portugal
resultou desse domínio, sofrendo, por conseqüência,
grande influência espanhola, principal foco irradiador dessa
estética.
Depois do domínio
Espanhol, nos séculos XVII e XVIII, a nação
portuguesa decaiu no cenário Europeu e sua literatura girou
em torno de outras culturas: do barroquismo espanhol, do arcadismo
italiano e do iluminismo francês, afetando a iniciante literatura
colonial brasileira que passou a receber tendências estrangeiras.
A partir da segunda
metade do século XVI, os ciclos de ocupação
e exploração intensa e regular das possibilidades
econômicas do Brasil-Colônia fizeram surgir núcleos
urbanos de grande importância cultural e econômica na
Bahia e Pernambuco. Mais tarde, século XVII, com a mudança
da sede do governo para o Rio de Janeiro, esta firmou-se também
como centro social, político e cultural.
As invasões
estrangeiras, do Rio de Janeiro ao Maranhão, nos séculos
XVI e XVII, foram responsáveis não só pelas
transformações ocorridas no Nordeste mas também
pelo despertar de uma consciência colonial, que se manifestou
na literatura aqui realizada, através do sentimento de amor
e interesse pelas nossas coisas, fatos e realidades. Ainda nesse
século, essa região presenciou o auge e a decadência
da cana-de-açúcar. No século XVIII, outros
centros surgiram. Além de São Paulo, Vila Rica de
Ouro Preto, em Minas Gerais, também desenvolveu-se econômica
e culturalmente, devido ao descobrimento das jazidas de ouro. Durante
esses séculos, o Brasil viveu sob forte pressão econômica,
sobretudo pela intensa exploração de suas riquezas
naturais que mantiveram a Corte.
Famílias brasileiras
e portuguesas aqui radicadas, favorecidas por esse desenvolvimento,
passaram a enviar seus filhos para os cursos superiores em Portugal.
Esses estudantes, formados pela Universidade de Coimbra, foram os
principais responsáveis pelas manifestações
literárias européias que aqui surgiram. Ao retornarem
contribuíram para o nosso desenvolvimento literário
e reforçaram a mentalidade portuguesa entre nós.
CARACTERÍSTICAS
Sem encontrar explicações
racionais para o mundo e com o fortalecimento da igreja católica,
o século XVII retomou a religiosidade do período medieval
e o antropocentrismo do século XVI, levando o pensamento
humano a oscilar entre dois pólos opostos: Deus e o homem;
espírito e matéria; céu e terra. Ao aproximar
e relacionar idéias e sentimentos ou sensações
contraditórias entre si, o Barroco reflete esse desequilíbrio
e tensão.
Essa estética
recebe nomes diferentes em outros países. Na Espanha, é
Gongorismo, proveniente do poeta Luís Gôngora y Argote.
Na Itália, chama-se Marinismo, devido à influência
de Gianbattista Marini. Na Inglaterra, o romance Euphues ou The
Anatomy of Wit, de John Lyly, dá origem ao Eufuísmo.
Na França, denomina-se Preciosismo, graças à
forma rebuscada na corte de Luís XIV. Na Alemanha, é
conhecido por Silesianismo, caracterizando os escritores da região
da Silésia.
Nessa estética,
integrante do Período Colonial e sucessora do Quinhentismo,
há um culto exagerado da forma. Na poesia, isso é
feito através de malabarismos sintáticos e abuso de
figuras, tais como metáforas, antíteses, paradoxos,
metonímias, hipérboles, alegorias e simbolismos, resultando
em um rebuscamento exagerado, a que os poetas do Arcadismo iriam
se opor.
O barroco literário
marca-se por dois estilos: o Cultismo e o Conceitismo. Enquanto,
no Cultismo, os termos contrários manifestam sensações,
no Conceitismo, eles são construídos e resolvidos
através do confronto de idéias e de conceitos mais
abstratos.
Para o artista barroco,
efêmero e contingente, que deseja conciliar céu e terra,
a duplicidade é a única atitude compatível,
daí o uso de temas opostos: amor e dor, o erótico
e o místico, o refinado e o grosseiro, o belo e o feio que
se misturam, ressaltando o bizarro, e lembrando que a morte é
o denominador comum de todas as aspirações humanas.
Além das características
portuguesas, o barroquismo brasileiro apresenta peculiaridades próprias.
A visão nativista na poesia, por exemplo, pode ser considerada
pitoresca pelo tipo de louvor que faz ao país. Na lírica
amorosa, a mulher é retratada pela sua beleza e perigo, sendo
ao mesmo tempo enaltecida e exorcizada.
As manifestações
literárias barrocas do Brasil-Colônia, de 1601 a 1768,
têm como marco inicial a publicação do poema
épico Prosopopéia, de Bento Teixeira. Na poesia, destaca-se
também Gregório de Matos e, na prosa, sobressai-se
a oratória sagrada dos jesuítas, cujo nome central
é o do Padre Antônio Vieira.
Barroco
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O lúdico e as projeções do mundo barroco. São
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SILVA RAMOS, Péricles
Eugênio da. Poesia Barroca. Antologia. São Paulo: Melhoramentos,
1967.
VARNHAGEN, Francisco
Adolfo de. Florilégio da Poesia Brasileira. Rio de Janeiro:
Academia Brasileira de Letras, 1946, 3 vols.
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Miguel. Gregório de Matos. Poemas escolhidos. São
Paulo: Cultrix, 1976.
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História da Literatura Brasileira. 8ª Edição.
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Concisa da Literatura Brasileira. 2ª Edição.
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e CASTELLO, José Aderaldo. Presença da Literatura
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Primeira Fase (1922-1930)
MARCO
Evento: SEMANA DE
ARTE DE MODERNA (1922)
Segunda Fase (1930-1945)
MARCO
Obra: ALGUMA POESIA
(1930)
Autor: Carlos Drummond
de Andrade (1902-1987)
MARCO
Obra: VIDAS SECAS
(1938)
Autor: Graciliano
Ramos (1892-1953)
Terceira Fase (Pós-1945)
MARCO
Obra: PERTO DO CORAÇÃO
SELVAGEM (1944)
Autor: Clarisse Lispector
(1926-1977)
CONTEXTO HITÓRICO
No Brasil, o termo
Modernismo envolve aspectos ligados ao movimento, propriamente dito,
à estética e ao período histórico. Desde
o início do século, a literatura tradicional, acadêmica
e elitizante se mantém ao lado de tendências renovadoras,
representadas por escritores como Euclides da Cunha, Monteiro Lobato
e Lima Barreto. Com o passar do tempo, a busca pelo novo e as tentativas
de renovação da arte brasileira se multiplicam com
a promoção de exposições de pintura,
esculturas modernas e artigos nos jornais, dedicados às tendências
vanguardistas européias.
Na Europa, essa vanguarda
tem como marca o avanço tecnológico e científico
do início do século XX. Nesse período, o cotidiano
das pessoas sofre uma verdadeira revolução com a supervalorização
do progresso e da máquina. O capitalismo entra em crise,
dando início à Primeira Guerra Mundial (1914-1918),
encerrando a chamada belle époque. A seguir, a crise financeira,
oriunda do conflito, leva à Segunda Guerra Mundial (1939-1945),
e nos anos intermediários, conhecidos como "os anos
loucos", as pessoas passam a conviver com a incerteza e com
o desejo de viver somente o presente. Tais experiências despertam
o anseio de interpretar e expressar a realidade de forma diferenciada,
dando origem aos movimentos da vanguarda européia.
Os mais importantes
foram: o futurismo, liderado pelo italiano Marinetti, exalta a velocidade
e a máquina; o cubismo, oriundo da pintura, fraciona a realidade,
remontando-a, a seguir, por meio de planos geométricos superpostos;
o dadaísmo, com seu líder Tristan Tzara, nega totalmente
a lógica, a coerência e a cultura, como forma de oposição
ao absurdo da guerra. Tzara toma o termo dadá, que não
significa nada, e o aplica à arte que produz, afirmando não
reconhecer nenhuma teoria e declarando a morte da beleza; o surrealismo,
lançado em 1924, por André Breton, com o Manifesto
do Surrealismo, prega o apego à fantasia, ao sonho e à
loucura, além da utilização da escrita automática
em que o artista, provocado pelo impulso, registra tudo o que lhe
vem à mente, sem preocupação com a lógica.
Essa vanguarda passa
a exercer influência sobre os artistas e intelectuais brasileiros.
Dessa forma, vão surgindo obras de autores jovens que, descontentes
com a tradição acadêmica e parnasiana, demonstram
que a literatura brasileira está sofrendo um processo dinâmico
de transformação. Três datas (1922,1930 e 1945)
marcam as diferentes fases desse movimento, iniciado com a Semana
de Arte Moderna.
Contexto histórico
da primeira fase (1922-1930) - Certas transformações
foram responsáveis pela criação do ambiente
propício à instalação das novas idéias,
ressaltando-se: o Centenário da Independência e a Guerra
Mundial (1914-1918), que favoreceu a expansão da indústria
brasileira, promoveu novas relações políticas,
além de abrir espaço para a renovação
na educação e nas artes. Deu origem, também,
ao questionamento do sistema político vigente, até
então comandado pela oligarquia ligada à economia
rural. Há, ainda, a grande influência da mão-de-obra
imigrante, instalada no Sul, centro de poder da vida econômica
e política do país. Outros fatos importantes foram:
o triunfo da Revolução de Outubro de 1930, cujo levante
se deu em 1922, e a fundação do Partido Comunista
Brasileiro.
Igualmente relevante,
foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, levando
à queda do café brasileiro na balança de exportação,
nessa mesma data. Tal fato, desestabiliza, no Brasil, o grupo dirigente
e abre espaço para o novo, dando legitimidade à arte
e à literatura modernas, entendidas, a princípio,
como "capricho". O país vive os últimos
anos da República Velha, caracterizada pelo domínio
político das oligarquias, formadas pelos grandes proprietários
rurais. Em 1922, com a revolta do Forte de Copacabana, o Brasil
entra num período revolucionário de fato, culminando
com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio
Vargas.
Contexto histórico
da segunda fase (1930-1945) - No plano internacional, os fatos históricos
que se destacam como os mais importantes são: a quebra da
Bolsa de Nova York, em 1929, provocando profunda depressão
econômica, conhecida como a Grande Depressão; a instalação
da ditadura salazarista em Portugal, estendendo-se de 1932 a 1968;
o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936; a invasão
da Polônia pela Alemanha, sob o comando de Adolf Hitler, resultando
na Segunda Guerra Mundial; a invasão da ex-União Soviética
pela Alemanha, em 1941; no mesmo ano em que os japoneses atacam
aos Estados Unidos; a invasão da Itália, provocada
pelos países aliados, em 1943; o fim da Segunda Guerra, em
1945, com a utilização da bomba atômica sobre
as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.
No Brasil, a Revolução
de 1930 conduziu Getúlio Vargas ao poder com o apoio da burguesia
industrial. Tratava-se de um governo provisório que incentivou
a industrialização e substituiu o capital inglês
pelo norte-americano. Descontentes com essa política, em
1932, os produtores de café de São Paulo se rebelam
contra esse governo provisório, dando origem à chamada
Revolução Constitucionalista de 9 de julho, que resultou
em fracasso.
Em 1934, é
promulgada a nova Constituição Brasileira, acompanhada
da eleição de Getúlio Vargas para presidente
da República. Mais tarde, em 1936, vários membros
do Partido Comunista são presos, incluindo os escritores
Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em 1937, uma nova constituição
é promulgada com características fascistas.
Em meio a todas essas
conturbações, um fato merece registro. Trata-se das
mortes, em 1938, de Lampião, o chefe do cangaço e
de sua companheira Maria Bonita. O cangaço pode ser definido
como o banditismo praticado pelos nordestinos expostos à
extrema pobreza e constante injustiça social. Surge na grande
seca de 1879, a partir de grupos armados que assaltam fazendas e
casas comerciais para depois distribuírem o alimento furtado
aos flagelados.
Além desses
acontecimentos, em 1941, o Brasil entra na guerra, em apoio aos
Estados Unidos da América do Norte, e, em 1945, Getúlio
Vargas é deposto pelas Forças Armadas, pondo fim ao
Estado Novo com a eleição de Eurico Gaspar Dutra para
presidente da República.
Contexto histórico
da terceira fase (Pós-1945) - A duas bombas lançadas
covardemente sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki em
agosto de 1945 apenas evidenciaram um fato que há muito estava
comprovado: a vitória dos aliados sobre os países
do eixo e o fim da Segunda Guerra Mundial. Começava, a partir
de então, um confronto de duas nações e dois
sistemas sócio-políticos que dividiria o mundo em
duas partes e aumentaria o medo de uma outra guerra mais sanguinária:
Estados Unidos versus União Soviética, ou capitalismo
versus socialismo. No Brasil, chegava também ao fim o regime
de quinze anos de poder de Getúlio Vargas, deposto pelos
mesmos militares que o ajudaram a chegar à presidência.
Getúlio ainda voltaria em 1951, desta vez eleito pelo povo
que o idolatrava. Seu governo, no entanto, não chegou ao
fim: sob suspeita de irregularidades no comando do país,
Getúlio Vargas suicida-se com um tiro no coração
no ano de 1954, causando uma comoção geral.
Dentre os presidentes
que sucederam Getúlio, merece destaque a figura de Juscelino
Kubitschek, eleito em 1955. Praticando a política dos "cinqüenta
anos em cinco", Kubitschek apostou na industrialização
como fonte de crescimento para o país. O investimento, sobretudo
na área automobilística, necessitou de empréstimos
de capital estrangeiro, o que implicava numa dívida externa
cada vez maior e uma conturbada inflação. Um dos grandes
marcos de seu governo foi a construção da nova capital
do país: Brasília, inaugurada em 1960. Enquanto isso,
as cidades inchavam cada vez mais com a migração das
famílias provenientes de regiões agrárias,
sobretudo do norte. O país, no entanto, possuía uma
alegria a mais para esquecer dos problemas: o futebol brasileiro,
campeão mundial nos anos de 1958 e 1962, e que viria conquistar
o terceiro título em 1970.
A década de
60 é marcada pelo Golpe Militar no ano de 1964, quando os
militares depuseram o presidente João Goulart e instituíram
uma repressão que perseguiria, torturaria e exilaria os principais
ícones de nossa política e cultura. O ano de 1968
ficou conhecido pela instituição do Ato Constitucional
Número 5, que pregava a censura e condenava pessoas que viessem
a se posicionar política e culturalmente contra o regime
militar. Nossa cultura, no entanto, passava por um período
fértil, não só na literatura e teatro, como
também na música, com o nascimento dos grandes festivais
de música popular e do "Tropicalismo", movimento
musical que contava com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso,
Milton Nascimento e outros.
O Brasil só
se livraria por completo da repressão militar no ano de 1984.
O principal responsável por essa busca da democracia foi
o então eleito presidente Tancredo Neves, que faleceria antes
de tomar posse. A presidência é assumida pelo vice,
José Sarney. Segue-se um período de pacotes econômicos
constantes e uma inflação que chega a níveis
absurdos.
A eleição
de 1990 tornou-se um marco na história do país. Finalmente
um presidente seria eleito pelo povo depois de tantos anos de ditadura
e sofrimento. Fernando Collor de Melo assume o poder com uma maciça
campanha política e uma gama de reformas que visavam colocar
a nação no eixo do desenvolvimento. Tanta disposição
foi, no entanto, desmascarada, mostrando uma séria teia de
corrupção e lavagem de dinheiro, levando o país
a um movimento de nacionalismo nunca antes visto, que culminaria
com o Impeachment do presidente.
Com Fernando Collor
impedido de continuar exercendo o cargo de presidente, seu vice
Itamar Franco assume o poder. O marco de seu governo é a
criação de uma nova moeda, o Real, que estabilizou
os índices inflacionários e equilibrou de certo modo
a economia em 1994. O criador do plano, o então Ministro
da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, tornou-se o sucessor de Itamar
Franco na presidência, sendo reeleito no ano de 1998.
CARACTERÍSTICAS
O Modernismo tem
como característica unificadora o desejo de liberdade de
criação e expressão, aliados aos ideais nacionalistas,
visando, sobretudo, emancipar-se da dependência européia.
Esse anseio de independência inclui: o vocabulário,
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a sintaxe, a escolha de temas e a maneira de ver o mundo. Ao rejeitarem
os padrões estilísticos portugueses, seus criadores
cobrem de humor, ironia e paródia as manifestações
modernistas, passando a utilizar as expressões coloquiais,
próximas do falar brasileiro, promovendo a valorização
diferenciada do léxico.
O mais importante
é a atualidade, por isso centram o fazer literário
na expressão da vida cotidiana, descrita com palavras do
dia-a-dia, afastando-se da literatura tradicional, consagrada ao
padrão culto. Um exemplo de incorporação da
linguagem oral, na criação poética e descrição
de coisas brasileiras, valorizando o prosaico, recoberto de bom
humor, é o poema de Mário de Andrade, O poeta come
amendoim (1924). Contudo, é preciso ressaltar que não
havia imposição de normas e nem tratamento unificado
dos temas.
Os modernistas revelam
o nacionalismo, através da etnografia e do folclore. O índio
e o mestiço passam a ser considerados por sua "força
criadora", capaz de provocar "a transformação
da nossa sensibilidade, desvirtuada em literatura pela obsessão
da moda européia". Cantam, igualmente, a civilização
industrial, destacando: a máquina, a metrópole mecanizada,
o cinema e tudo que está marcado pela velocidade, aspecto
preponderante no modo de vida da nova sociedade. Ao comporem o perfil
psicológico do homem moderno, expõem angústias
e infantilidades como forma de demonstrar o caráter e a complexidade
do ser humano, apoiando-se, para tanto, na psicanálise, no
surrealismo e na antropologia.
A Primeira Fase (1922-1930)
O primeiro momento,
conhecido como fase heróica, corresponde à Semana
de Arte Moderna em 1922, em São Paulo. Essa semana serviu
como elemento de divulgação e dinamização
das discordâncias, acelerando o processo de modernização.
O objetivo central era se impor contra o Naturalismo, Parnasianismo
e Simbolismo ainda vigentes.
Além disso,
visava estabelecer uma teoria estética, nem sempre claramente
explicitada por seus criadores e que acaba por renovar o conceito
de literatura e de leitor. A Semana incluiu uma série de
eventos (l3, l5 e 17 de fevereiro de 1922) no Teatro Municipal de
São Paulo, reunindo artistas e intelectuais que, sob o aplauso
e vaias da platéia, apresentaram uma espécie de sarau,
declamando poemas, lendo trechos de romances, fazendo discursos,
expondo quadros e tocando música.
Alguns acontecimentos,
anteriores a 1922, preparam a trajetória do Modernismo; fatos,
especificamente, ligados à estética renovadora, se
multiplicam. Em 1912, Oswald de Andrade traz da Europa a novidade
futurista; em 1913, o pintor Lasar Segall faz uma exposição,
negando a pintura acadêmica. Em 1917, a exposição
dos quadros de Anita Malfatti, em São Paulo, destacando a
pintura expressionista, assimilada na Europa, coloca, de um lado,
os que apóiam o novo e, de outro, os conservadores.
Na literatura, a
transformação e o rompimento com o velho estão
presentes, sobretudo, na obra de Oswald de Andrade, Memórias
Sentimentais de João Miramar, publicada em 1916, cuja característica
experimental notável se aprofunda em edições
posteriores. Em 1920, Oswald e Menotti del Picchia iniciam a campanha
de renovação nos jornais, tendo como expoente o poeta
Mário de Andrade que, em 1922, traz a público Paulicéia
Desvairada. Seu "Prefácio Interessantíssimo"
corresponde a um primeiro manifesto estético.
Outra manifestação,
em 1921, são os Epigramas Irônicos e Sentimentais,
de Ronald de Carvalho, que, apesar de terem sido publicados em 1922,
já revelam a busca por uma nova forma de expressão.
No Rio de Janeiro, Manuel Bandeira se utiliza do verso livre. Ao
final de 1921, os jovens de São Paulo preparam a Semana,
contando com o apoio de Graça Aranha que, ao procurar criar
uma filosofia para o movimento, acaba seu líder. Vários
escritores do Rio e de São Paulo participam do evento: Manuel
Bandeira, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho,
Ribeiro Couto, Mário de Andrade e Oswald de Andrade.
Sabem que estão
produzindo algo de novo, em oposição às tendências
dominantes, entretanto não conseguem apontar claramente a
trajetória a ser seguida. A esses escritores juntam-se os
que publicam pela primeira vez: Luís Aranha Pereira, Sérgio
Milliet, Rubens Borba de Moraes, Sérgio Buarque de Holanda,
Prudente de Morais (neto), Antonio Carlos Couto de Barros. Unem-se,
também, os pintores: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano
di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro; o escultor Victor Brecheret;
o compositor Heitor Villa-Lobos e o historiador Paulo Prado, criador
do movimento Pau-Brasil, em 1924. Ainda, em 1922, é lançada
a renovadora revista Klaxon, em São Paulo, cuja publicação
se estende até o número nove.
O movimento pela
nova estética se radicaliza em São Paulo, revelando
o aspecto agressivo e polêmico da empreitada. Aos poucos,
escritores de norte a sul se ligam ao grupo na batalha de oposição
aos conservadores. O espírito nacionalista, inspirado pelo
desejo de libertação da tradição européia,
toma conta das manifestações e estimula a luta dos
renovadores.
Após a Semana,
surgem propostas variadas que dão origem aos grupos: Pau-Brasil,
lançado por Oswald de Andrade. O nome adotado faz referência
à primeira riqueza brasileira exportada e o movimento tem
como princípios: a exaltação do Carnaval carioca
como acontecimento religioso da raça, o abandono dos arcaísmos
e da erudição, a substituição da cópia
pela invenção e pela surpresa; o Verde-Amarelo, se
colocando em oposição ao Pau-Brasil, prega o nacionalismo
ufanista e primitivista. Mais tarde, transforma-se no grupo da Anta,
escolhida como símbolo da nacionalidade por ter sido o totem
da raça tupi; o Regionalista, iniciado no Recife, prega o
sentimento de unidade do Nordeste; o Antropofágico, liderado
por Oswald de Andrade, inspirado no quadro Abaporu, (aba, "homem";
poru, "que come"), de Tarsila do Amaral, propõe
a devoração da cultura importada com intuito de reelaboração,
transformando o que veio de fora em produto exportável. As
obras ligadas a esse movimento são Cobra Norato, de Raul
Bopp, e Macunaíma, de Mário de Andrade.
Nesses agrupamentos,
o enaltecimento do primitivismo passa a incluir a mitologia e o
simbólico, sobretudo no movimento Antropofágico que,
propondo a devoração dos valores europeus, lança
suas idéias na Revista de Antropofagia (1928-1929).
Nessa primeira fase,
o rompimento com o velho, a necessidade de chocar o público
e de divulgar novas idéias estão marcados pelo radicalismo.
Enquanto várias revistas são criadas por escritores
renomados e por iniciantes, o movimento vai se estruturando de forma
mais vibrante no Rio e em São Paulo, estendendo-se a Minas
e ao polêmico regionalismo nordestino. As publicações
variadas são fundamentais para o movimento que, extremamente
ativo, se estende até 1930, quando menos agressivo, muda
de rumos, principalmente, com referência à prosa, dominada,
tradicionalmente, pela literatura oficial, ligada à Academia
Brasileira de Letras, antagonista dos "futuristas", ou
seja, dos modernistas, "rebeldes excêntricos do período".A
partir dessa data, as novas idéias se generalizam, constituindo-se
em padrões de criatividade. Findo esse primeiro momento,
abre-se espaço para a segunda fase; a fase construtiva que
prima pela estabilização das conquistas, com forte
apelo social.
A Poesia - A poesia,
produzida na primeira fase, apropria-se do ritmo, do vocabulário
e dos temas da prosa, constituindo-se no principal veículo
de divulgação do movimento. Abandona os modelos tradicionais
do Parnasianismo e deixando de lado os recursos formais, adota o
verso livre, sem número determinado de sílabas e sem
metrificação, respeitando a inspiração
poética. A cadência rítmica é mantida
próxima da prosa em obediência à alternância
de sons e acentos, demonstrando que a poesia está na essência
ou no contraste das palavras selecionadas. A opção
pelo verso livre expressa a alteração da música
contemporânea, produzida pelo impressionismo, pela dissonância,
pela influência do jazz e dodecafonia.
O registro do cotidiano
aparece valorizado por meio de elementos diferenciados, incluindo:
a linguagem coloquial; a associação livre de idéias;
uma aparente falta de lógica; a mescla de sentimentos contrastantes,
revelando o subconsciente e o nacionalismo. Às vezes, a preferência
recai sobre o "momento poético" - observação
de um determinado aspecto ou de um instante emocional, resultando
em condensação poética.
O presente é
incorporado aos versos por meio do progresso, da máquina,
do ritmo da vida moderna. O humor, igualmente empregado, manifesta-se
sob a forma de ironia ou paradoxo, surgindo o poema-piada, condensação
irreverente que busca provocar polêmica.
A Prosa - A prosa
do período não apresenta o mesmo vigor da poesia,
mas revela conquistas importantes. A princípio, demonstra
certa densidade, carregada de imagens, provocando tensão
pela expressividade de cada palavra. Os recursos são variados
como: a aproximação com a poesia, o apoio na fala
coloquial e na utilização de períodos curtos.
Um dos modernistas, Oswald de Andrade, aplica essas experiências
não só em seus artigos e manifestos, mas também
na obra Memórias Sentimentais de João Miramar (1924).
Trabalha a realidade através de recursos poéticos,
empregando metáforas e trocadilhos. Essa técnica,
aliada a uma "espécie de estética do fragmentário",
compõe-se de espaços em branco na formatação
tipográfica e também na seqüência do discurso,
cabendo ao leitor a tarefa de dar sentido ao que lê.
Ao lado de Oswald
de Andrade, outros escritores se destacam: Antonio de Alcântara
Machado com Pathé Baby, Plínio Salgado com O Estrangeiro,
José Américo de Almeida com Bagaceira. Há os
que dão ênfase à experiência léxica
e sintática, tendo como suporte a fala coloquial. Mário
de Andrade é um de seus representantes com Amar, Verbo Intransitivo
e Macunaíma. Neste último, o novo está, sobretudo,
no emprego da lenda, revelando contornos poéticos, derivados
da liberdade na escolha do vocabulário, nacionalizando o
modo de escrever.
A Segunda Fase (1930-1945)
É o período
de maturação e de regionalismo, revelando-se, após
as conquistas da geração de 1922, uma fase muito rica
na produção de prosa e poesia. Reflete o momento histórico
conturbado, reinante não só na Europa, mas também
no mundo.
Poesia - Nesta fase
construtiva predomina a prosa, enquanto a poesia se apresenta de
forma mais amadurecida. Não precisa mais ser irreverente
e experimentalista, nem chocar o público; agora familiarizado
com a nova maneira de expressão. As influências de
Mário e Oswald de Andrade estão presentes na produção
poética pós Semana de Arte Moderna. Os novos poetas
dão continuidade à pesquisa estética anterior,
mantendo o verso livre e a poesia sintética.
A nova técnica
está marcada pelo questionamento mais vigoroso da realidade,
acompanhada da indagação do poeta sobre seu fazer
literário e sua interpretação sobre o estar-no-mundo.
Conseqüentemente, surge uma poesia mais madura e politizada,
comprometida com as profundas transformações sociais
enfrentadas pelo país. Ampliando os temas da fase anterior,
volta-se para o espiritualismo e o intimismo, presentes em certas
obras de Murilo Mendes, Cecília Meireles, Jorge de Lima e
Vinicius de Morais.
A Prosa - A prosa
reflete o mesmo momento histórico da poesia, cobrindo-se
igualmente das preocupações dos poetas da década
de 30. São autores mais representativos: José Lins
do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Erico
Verissimo.
Nessa fase, a prosa
se reveste de caráter mais maduro e construtivo, refletindo
e aproveitando as conquistas da geração de 1922. A
linguagem atinge certo equilíbrio e adota uma postura mais
documental ao expor a realidade brasileira e focalizar o aspecto
social. Essa tendência é aplicada nos romances urbanos,
voltados à exposição da vida nas grandes cidades,
revelando as desigualdades sociais, observadas na vida urbana brasileira,
com destaque para algumas obras de Erico Verissimo.
Os escritores focalizam,
ainda, a realidade regional do país, originando a prosa regionalista
que destaca a seca e os flagelos dela decorrentes. Os romancistas
comprometidos com essa temática são: Rachel de Queiroz,
José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Ao lado
dessa tendência, encontra-se a prosa intimista ou de sondagem
psicológica, elaborada a partir do surgimento da teoria psicanalítica
freudiana. Seus representantes são: Dionélio Machado,
Lúcio Cardoso e Graciliano Ramos. Portanto, a denúncia
social e a relação do "eu" com o mundo e,
em especial, com o povo brasileiro são o ponto de tensão
dos romances do período.
A preocupação
mais marcante da prosa é o homem do Nordeste, incluindo sua
vida precária e as condições adversas impostas
pela geografia do lugar, pela submissão dos trabalhadores
aos proprietários de terras, advinda de sua grave falta de
instrução. O encontro com o povo brasileiro propicia,
pois, o nascimento do regionalismo, reforçado pelos temas
dedicados à decadência dos engenhos; às regiões
de cana-de-açúcar; às terras do cacau no sul
da Bahia; à vida agreste; às constantes secas, aprofundando
as desigualdades sociais; ao movimento migratório; à
mão-de-obra barata, à miséria e à fome.
Em 1945, encerra-se
o período dinâmico do Modernismo, abrindo espaço
para a fase de reflexão, devotada aos questionamentos sobre
a linguagem, ao retorno a certos modelos estilísticos tradicionais,
sobretudo, no início dos anos 50, visando inovações.
Some-se a isso que,
o término da Segunda Guerra Mundial (1945) empurra o país
para a era industrial e passa a contar com um proletariado de grande
peso representativo, ávido de participar efetivamente da
vida política. Além disso, o país desponta
como uma potência moderna, facilitando o aparecimento da nova
estética, revelando, segundo Antonio Candido, "no seu
ritmo histórico, uma adesão profunda aos problemas
da nossa terra e da nossa história contemporânea".
A Terceira Fase (Pós-1945)
Nesta terceira fase,
presencia-se a rejeição da geração de
22 na poesia. Surge o Concretismo, a Poesia-Práxis, o Poema-Processo,
o Poema-Social, a Poesia Marginal e os músicos-poeta. Na
prosa, a exploração do psicológico e dos conflitos
entre o homem e a modernidade, a busca da universalização
e de uma literatura engajada e o mergulho no realismo fantástico
e no romance de reportagem passam a ser o foco. A crônica,
o conto, a prosa autobiográfica e o teatro ganham força.
A Poesia - A poesia
da segunda metade da década de 40 é marcada pela presença
da Geração de 45, onde se destacariam grandes nomes
dentro de nossa literatura, entre eles João Cabral de Melo
Neto. Essa geração tem como marco a publicação
dos nove números da "Revista Orfeu", no Rio de
Janeiro. Pregavam, acima de tudo, a rejeição aos moldes
modernistas da geração de 22, ou seja: o fim do verso
livre, da paródia, da ironia, do poema-piada, etc. A poesia
deveria seguir um modelo mais formal, de cunho neoparnasiano ou
neo-simbolista, com versificação mais regrada, maior
erudição com relação às palavras
e uso de temas mais universais.
Contrapondo a toda
essa busca pelos padrões clássicos, Décio Pignatari,
Augusto de Campos e Haroldo de Campos criaram o Concretismo, que
condizia mais com a rapidez e agilidade da sociedade moderna. O
Concretismo vai além de tudo o que o Modernismo conquistou:
prega o fim do verso, do lirismo e do tema, além da exploração
do espaço em branco, e a decomposição e montagem
de palavras, com seus vários sentidos e correlações
com outras palavras. O poema em si muitas vezes lembra um cartaz
publicitário que se evidencia pelo apelo visual e permite
várias leituras.
Outro movimento de
profunda importância literária é o da Poesia-Práxis,
liderado pelo poeta Mário Chamie e por Cassiano Ricardo.
A poesia, segundo essa nova concepção, deve ser energética
e dinâmica, com um conteúdo de importância, podendo
ser transformada e reformulada pelo leitor, permitindo uma leitura
múltipla. O Poema-Processo, assim como a poesia concreta,
apela para o campo visual, através do uso de cortes e colagens
e signos não-verbais. São poemas de apreciação
e compreensão muito truncadas, mais para serem vistos do
que lidos. A Poesia Social surge para trazer novamente à
tona a força do verso, abolido pela poesia concreta e pelo
Poema-Processo, sendo que a principal preocupação
está sempre voltada para o retrato da realidade social. A
Poesia Marginal mantém, no entanto, algumas relações
com o Concretismo e o Poema-Processo. Sua linguagem é marcada
pela busca da descrição do cotidiano, do instante,
numa linguagem mais simples e um tom coloquial que tem como marca
a ironia, o humor e o desprezo à elite e à sociedade,
retomando algumas características da obra de Oswald de Andrade.
Eram, na maioria dos casos, rodadas em mimeógrafos e entregues
de mão em mão.
Uma das características
da poesia contemporânea é uma busca cada vez maior
de uma intertextualidade com outros meios de expressão, exigindo
uma linguagem cada vez mais fragmentada e rápida que muitas
vezes contrasta com uma necessidade de reencontro com os padrões
clássicos, onde se evidenciam poemas mais longos e lineares.
Outra característica relevante que só veio a contribuir
para a difusão da poesia foi seu casamento com a música
popular, que acentua o crescimento dos meios de comunicação
de massa e a produção mais industrializada da literatura.
Surgiram músicos-poeta como Caetano Veloso, Chico Buarque,
Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, precedidos pela excelência
de Vinícius de Moraes.
A Prosa - A publicação
do livro Perto do Coração Selvagem de Clarisse Lispector
em 1944 já indiciava um novo caminho: a prosa da década
de 40 e 50 seria marcada pela exploração do campo
psicológico das personagens, o urbanismo que revela a relação
conflituosa entre o homem e a modernidade, e o regionalismo que
renova a linguagem literária, numa profunda busca pela universalização.
Além de Clarisse Lispector, outro nome se destacaria dentro
dessa nova concepção literária: Guimarães
Rosa. Clarisse Lispector vai usar na maioria das vezes o cenário
das grandes cidades como pretexto para expressar um outro mundo:
o mundo interior de cada personagem. Guimarães Rosa usa e
abusa do testemunho realista e de uma linguagem completamente inovadora
e mítica para redescobrir a linguagem e o sertão do
Brasil, ampliando o conceito do sertão e do sertanejo que
ali vive.
A prosa urbana vai
ser cada vez mais explorada a partir dos anos 60, mostrando os problemas
acarretados pelo progresso, e um ser humano cada vez mais solitário,
marginalizado e vítima de um mundo violento, que se fecha
e enfrenta também a si mesmo. A linguagem vai tender cada
vez mais à concisão e à fragmentação,
rompendo muitas vezes com a linearidade temporal e espacial, tentando
descrever o fluxo do pensamento e mostrando a rapidez e o absurdo
da modernidade. Nascendo a partir dos mesmos campos urbanos e psicológicos
que propulsionaram a literatura nos anos 40 e 50, tem-se a prosa
mais introspectiva, o realismo fantástico e o romance reportagem.
A prosa de cunho
político vai também se impor com grande força,
tendo como objetivo retratar a violência e a repressão
política que assolaram o país desde 1964, ou denunciando
de um modo satírico e irônico a corrupção
que assola o homem, e por conseqüência o governo, e que
promove a sempre a discórdia e a desigualdade social. É
o caso, por exemplo, de Incidente em Antares de Erico Verissimo.
Outros gêneros
que ganham força dentro do panorama literário brasileiro
são a prosa autobiográfica, o conto e a crônica,
sendo que os dois últimos se consolidaram como modelos de
literatura moderna. O conto consegue a síntese e a rapidez
que a modernidade pede, mostrando-se mais fácil e mais &a
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acute;gil
de ser lido. A crônica ganhou um espaço muito grande
dentro dos principais veículos de comunicação
como a revista e o jornal devido à sua linguagem mais coloquial,
sua ligação mais íntima com o cotidiano, sua
irreverência e ironia, e sua mais fácil assimilação
por parte dos leitores, destacando escritores consagrados e novos
como, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino,
Rubem Braga, entre outros.
O Teatro - Merece
destaque também a revolução que o teatro brasileiro,
que perdia terreno para o rádio e o cinema, sofreu a partir
da década de 40, principalmente com a estréia da peça
Vestido de Noiva em 1943, de Nelson Rodrigues, que promove uma verdadeira
renovação com relação à ação,
personagens, espaço e tempo.
A década de
60 e 70 vai mostrar também o teatro político que expressa
um forte nacionalismo preocupado em revelar e denunciar a realidade
agonizante do Brasil durante o regime militar, buscando uma ligação
e uma participação cada vez mais sólida do
público dentro da peça, e revelando atores, diretores
e dramaturgos de qualidade excepcional, premiados a nível
nacional e internacional.
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MARCO
Obra
MERIDIONAIS (1884)
e SONETOS E POEMAS (1886)
Autor
Alberto de Oliveira
(1857-1937)
MARCO
Obra
VERSOS E VERSÕES
(1887)
Autor
Raimundo Correia
(1859-1911)
MARCO
Obra
POESIAS (1888)
Autor
Olavo Bilac (1865-1918)
CONTEXTO HISTÓRICO
O Parnasianismo foi
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contemporâneo do Realismo-Naturalismo, estando, portanto,
marcado pelos ideais cientificistas e revolucionários do
período. Diz respeito, especialmente, à poesia da
época, opondo-se ao subjetivismo e ao descuido com a forma
do Romantismo. O nome Parnaso diz respeito à figura mitológica
que nomeia uma montanha na Grécia, morada de musas e do deus
Apolo, local de inspiração para os poetas. A escola
adota uma linguagem mais trabalhada, empregando palavras sofisticadas
e incomuns, dispostas na construção de frases, atendendo
às necessidades da métrica e ritmo regulares, que
dificultam a compreensão, mas que lhes são característicos.
Para os parnasianos, a poesia deve pintar objetivamente as coisas
sem demonstrar emoção.
A nova tendência
toma corpo a partir de 1878, quando nas colunas do Diário
do Rio de Janeiro se tenta criar a "Guerra do Parnaso",
defendendo o emprego da ciência e da poesia social, sem visar
modificar nada, recebendo a alcunha de Idéia Nova. O poeta
Alberto de Oliveira deseja o Realismo na poesia, enquanto em São
Paulo, Raimundo Correia e alguns colegas criam polêmicas sobre
o novo movimento na Revista de Ciências e Letras. Surge a
poesia diversificada: poesia científica, socialista e realista.
A científica é a única a manter certo rigor
e exclusividade. As demais se libertam do Romantismo aos poucos.
Segundo Alfredo Bosi,
a obra de Teófilo Dias, Fanfarras (1882) pode ser considerada
o primeiro livro parnasiano, contrapondo-se a Alberto de Oliveira
que destaca Sonetos e Rimas (1880) de Luís Guimarães
Junior, como a primeira manifestação. Contudo, são
os poemas da "plêiade parnasiana": Alberto de Oliveira,
com Meridionais (1884) e Sonetos e Poemas (1886), Raimundo Correia,
com Versos e Versões (1887) e Olavo Bilac, com a primeira
edição de Poesias (1888), que apresentam as marcas
próprias do movimento, filiado ao Parnasianismo francês,
assim denominado, devido à coletânea Parnasse Contemporain,
publicada em série (1866,1869 e 1876).
CARACTERÍSTICAS
Os poetas brasileiros
tomam como fonte de inspiração os portugueses do século
XVIII, destacando, sobretudo, o trabalho de Bocage. Voltam-se, também,
para Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Tomás
Antonio Gonzaga. Cultuam a estética do Arcadismo, a correção
da linguagem, propiciadora de originalidade e imortalidade, buscando
objetividade e impassibilidade diante do objeto, cultivando a forma
para atingir a perfeição.
A sintaxe, sob a
influência do século XVIII, prima pela devoção
à clareza, à lógica e à sonoridade.
Os parnasianos evitam as aliterações, homofonias,
hiatos, ecos e expressões arrebatadoras, mas apreciam a rima
consoante, aplicada sob o jugo de regras rígidas, privilegiando
a rima paroxítona, abjurando a interna e exigindo a rima
em todas as quadras. Dão ênfase às alternâncias
graves, aos versos de rimas paralelas ou intercaladas. Apreciam
as metáforas derivadas das lendas e história da Antigüidade
Clássica, símbolo do ideal de beleza.
O soneto ressurge
juntamente com o verso alexandrino, bem como o trabalho com a chave
de ouro e a rima rica. A vida é cantada em toda sua glória,
sobressaindo-se a alegria, a sensualidade, o conhecimento do mal.
A imaginação é sempre dominada pela realidade
objetiva.
O universalismo se
sobrepõe ao nacionalismo. Entretanto, o Parnasianismo inicial,
ligado à inspiração derivada dos temas históricos
de Roma e Grécia, vai se deslocando, aos poucos, para a paisagem
brasileira, graças à ação do meio e
das tradições poéticas, tendendo à busca
da simplicidade clássica. A recorrência ao arcadismo
interno e ao português acaba dando ao movimento uma configuração
própria. O social perde a força do início,
cedendo lugar ao princípio da Arte pela Arte, postulado pelo
poeta francês, Théophile Gautier, sem, entretanto,
suprimir o subjetivismo. Por isso, os poetas não obedecem
com precisão o cientificismo e nem primam pela objetividade,
mas se orientam pelo determinismo, pessimismo e sensualidade, prevalecendo,
com freqüência, a exigência de precisão,
a riqueza de linguagem e a descrição.
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MARCO
Obra
MEMÓRIAS PÓSTUMAS
DE BRÁS CUBAS (1881)
Autor
Machado de Assis
(1839-1908)
MARCO
Obra
O MULATO (1881)
Autor
Aluísio Azevedo
(1857-1913)
CONTEXTO HISTÓRICO
O Realismo, no Brasil,
nasceu em conseqüência da crise criada com a decadência
econômica açucareira, o crescimento do prestígio
dos estados do sul e o descontentamento da classe burguesa em ascensão
na época, o que facilitou o acolhimento dos ideais abolicionistas
e republicanos. O movimento Republicano fundou em 1870 o Partido
Republicano, que lutou para trocar o trabalho escravo pela mão-de-obra
imigrante.
Nesse período,
as idéias de Comte, Spencer, Darwin e Haeckel conquistaram
os intelectuais brasileiros que se entregaram ao espírito
científico, sobrepujando a concepção espiritualista
do Romantismo. Todos se voltam para explicar o universo através
da Ciência, tendo como guias o positivismo, o darwinismo,
o naturalismo e o cientificismo. O grande divulgador do movimento
foi Tobias Barreto, ideólogo da Escola de Recife, admirador
das idéias de Augusto Comte e Hipólito Taine.
O Realismo e o Naturalismo
aqui se estabelecem com o aparecimento, em 1881, da obra realista
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado
de Assis, e da naturalista O Mulato, de Aluísio Azevedo,
influenciados pelo escritor português Eça de Queirós,
com as obras O Crime do Padre Amaro (1875) e Primo Basílio
(1878). O movimento se estende até o início do século
XX, quando Graça Aranha publica Canaã, fazendo surgir
uma nova estética: o Pré-Modernismo.
CARACTERÍSTICAS
A literatura realista
e naturalista surge na França com Flaubert (1821-1880) e
Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o primeiro escritor
a pleitear para a prosa a preocupação científica
com o intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para
ele a arte é impessoal e a fantasia deve ser exercida através
da observação psicológica, enquanto os fatos
humanos e a vida comum são documentados, tendo como fim a
objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os aspectos
fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando
pela sensibilidade o real.
Contudo, a escola
Realista atinge seu ponto máximo com o Naturalismo, direcionado
pelas idéias materialísticas. Zola, por volta de 1870,
busca aprofundar o cientificismo, aplicando-lhe novos princípios,
negando o envolvimento pessoal do escritor que deve, diante da natureza,
colocar a observação e experiência acima de
tudo. O afastamento do sobrenatural e do subjetivo cede lugar à
observação objetiva e à razão, sempre,
aplicadas ao estudo da natureza, orientando toda busca de conhecimento.
Alfredo Bosi assim
descreve o movimento: "O Realismo se tingirá de naturalismo
no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se
ao destino cego das "leis naturais" que a ciência
da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano,
na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente
perfeito".
Vindo da Europa com
tendências ao universal, o Realismo acaba aqui modificado
por nossas tradições e, sobretudo, pela intensificação
das contradições da sociedade, reforçadas pelos
movimentos republicano e abolicionista, intensificadores do descompasso
do sistema social. O conhecimento sobre o ser humano se amplia com
o avanço da Ciência e os estudos passam a ser feitos
sob a ótica da Psicologia e da Sociologia. A Teoria da Evolução
das Espécies de Darwin oferece novas perspectivas com base
científica, concorrendo para o nascimento de um tipo de literatura
mais engajada, impetuosa, renovadora e preocupada com a linguagem.
Os temas, opostos
àqueles do Romantismo, não mais engrandecem os valores
sociais, mas os combatem ferozmente. A ambientação
dos romances se dá, preferencialmente, em locais miseráveis,
localizados com precisão; os casamentos felizes são
substituídos pelo adultério; os costumes são
descritos minuciosamente com reprodução da linguagem
coloquial e regional.
O romance sob a tendência
naturalista manifesta preocupação social e focaliza
personagens vivendo em extrema pobreza, exibindo cenas chocantes.
Sua função é de crítica social, denúncia
da exploração do homem pelo homem e sua brutalização,
como a encontrada no romance de Aluísio Azevedo.
A hereditariedade
é vista como rigoroso determinismo a que se submetem as personagens,
subordinadas, também, ao meio que lhes molda a ação,
ficando entregues à sensualidade, à sucessão
dos fatos e às circunstâncias ambientais. Além
de deter toda sua ação sob o senso do real, o escritor
deve ser capaz de expressar tudo com clareza, demonstrando cientificamente
como reagem os homens, quando vivem em sociedade.
Os narradores dos
romances naturalistas têm como traço comum a onisciência
que lhes permite observar as cenas diretamente ou através
de alguns protagonistas. Privilegiam a minúcia descritiva,
revelando as reações externas das personagens, abrindo
espaço para os retratos literários e a descrição
detalhada dos fatos banais numa linguagem precisa.
Outro tratamento
típico é a caracterização psicológica
das personagens que têm seus retratos compostos através
da exposição de seus pensamentos, hábitos e
contradições, revelando a imprevisibilidade das ações
e construção das personagens, retratadas no romance
psicológico dos escritores Raul Pompéia e Machado
de Assis.
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MARCO
Obra
SUSPIROS POÉTICOS
E SAUDADES (1836)
Autor
Gonçalves
de Magalhães (1811-1882)
CONTEXTO HISTÓRICO
O Brasil do início
do século XIX foi palco de várias transformações
que contribuíram de forma decisiva para a formação
de uma verdadeira identidade nacional e, conseqüentemente,
uma literatura com características mais brasileiras. A chegada
da família real portuguesa em 1808 já era um indício
de que aquele seria um século de profundas mudanças
na estrutura política, econômica e cultural do país.
D. João VI, através de medidas importantes visando
o desenvolvimento nacional, abriu os portos para comércio
com o mundo, o que significava a fácil entrada de novas tendências
culturais, principalmente européias. Além disso, criou
novas escolas, bibliotecas e museus, e deu incentivo à tipografia,
que implicou a impressão de livros, até então
feitos em Portugal, e a edição de jornais. O eixo
político-econômico-cultural do Brasil sai então
de Minas Gerais para ganhar as portas da realeza no Rio de Janeiro,
onde nasce um público consistente de leitores principalmente
formado de mulheres e jovens estudantes, provenientes da classe
burguesa em ascensão.
Enquanto isso, o
restante da nação, ainda movido pela estrutura agrária
e mão-de-obra escrava, assiste à transição
do colonialismo ao império. Era a tão sonhada independência
política das correntes de Portugal, numa busca pela liberdade
e pelo patriotismo, que iria acolher de braços abertos os
ideais românticos.
CARACTERÍSTICAS
Em oposição
direta ao Arcadismo, o Romantismo, marco de início do Período
Nacional da literatura brasileira, que se estende até nossos
dias, tem como lema a subjetividade, ou seja, o culto ao EU, ao
individualismo e à liberdade de expressão, buscando
a criação de uma linguagem nova e compatível
com o espírito nacionalista. Impera a emoção,
a constante busca pelas forças inconscientes da alma, como
a imaginação e os sonhos. É o coração
acima da razão humana, que leva ao amor idealizado e puro.
A natureza passa a ser a expressão da criação
e perfeição de Deus, a única paisagem sem a
mão corrupta do homem. É nela que o homem vai refletir
todos os seus estados de espírito e desejos de liberdade,
de proximidade ao Criador.
Essa busca dos sentimentos
e da liberdade entra em choque, porém, com a realidade humana
e muitas vezes gera a insatisfação, a depressão
e a melancolia em relação ao mundo incompreendido
- o "mal-do-século". A conseqüência
quase sempre é a fuga, a busca pela morte, pelos ambientes
exóticos: o oriente distante ou o passado histórico,
que, para os europeus, remonta à época medieval e,
para os escritores brasileiros, à vida indígena pré-colonial
e colonial. Muitas vezes essa fuga recai sobre a infância,
período de pureza, estabilidade e segurança na vida.
A criança passa a ser modelo de perfeição,
de estado de espírito, de exemplo para a renovação
da alma e da sociedade. Surge daí a contestação
aos modelos vigentes, a busca do caos e da anarquia, o culto às
trevas, ao ópio e à noite, num convívio quase
irregular com um nacionalismo exaltado, em que a figura do índio
e do sertanejo passam a ser figuras de destaque - representantes
da típica cultura brasileira. Da vida urbana, fica a imagem
dos amores burgueses, da média-alta sociedade de São
Paulo e principalmente do Rio de Janeiro, capital do império,
tão bem retratada nos folhetins. Toda essa fuga seria alvo
de ataque dos escritores do Realismo-Naturalismo.
No Brasil, o Romantismo
desenvolveu-se principalmente nos gêneros romance e poesia.
O romance estava em ascensão na Europa e não tardou
a fazer sucesso também por aqui. Inúmeros jornais
e folhetins traziam em suas páginas as belas traduções
de romances europeus de cavalaria ou de amores impossíveis.
Logo, toda uma gama de jovens escritores brasileiros interessaram-se
pelo gênero e especializaram-se nesse tipo de literatura.
Em termos da temática,
o romance brasileiro pode ser dividido em quatro tendências
distintas.
O romance urbano,
que retrata, muitas vezes de forma crítica, a vida e os costumes
da sociedade no Rio de Janeiro. Os enredos, na maioria das vezes,
são recheados de amores platônicos e puros, fruto de
uma classe social sem problemas financeiros e na maioria dos casos
estereotipada. Destacam-se as obras de Joaquim Manuel de Macedo,
Manuel Antônio de Almeida e principalmente José de
Alencar.
O romance indianista,
que focaliza a figura do índio. Enquanto o escritor europeu
tinha seus cavaleiros medievais, o brasileiro sentiu a necessidade
de resgatar em nosso passado um herói que melhor nos retratasse.
Mesmo sendo algumas vezes retratado como se fosse um cavaleiro europeu
da idade média
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, a figura do índio surge de forma imponente,
com seus costumes e sua vida selvagem, mas cheia de virtudes. Destacam-se
aqui as obras de José de Alencar, principalmente os clássicos
Iracema e O Guarani.
O romance regionalista,
que concentra-se em outra figura brasileira: o sertanejo. Na insistência
nacionalista de buscar as raízes de nossa cultura, a figura
do sertanejo, com suas crenças e tradições,
fez-se tão exótica quanto à do índio.
Dentre os regionalistas, destacam-se, além de José
de Alencar, Bernardo Guimarães, Visconde de Taunay e Franklin
Távora.
O romance histórico,
através do qual os romancistas brasileiros buscaram em nossa
história temas que alimentassem os anseios românticos,
de modo a acentuar ainda mais o nacionalismo exaltado que respirava
a pátria desde a independência. Evidenciam-se Bernardo
Guimarães e, mais uma vez, José de Alencar.
A poesia brasileira
se desenvolveu no Brasil de uma forma muito criativa e rica em temas
e imagens, apesar de muitas vezes não passar de mera influência
ou cópia de poetas europeus. Podemos dividir toda essa gama
de temas em três importantes fases.
Primeira geração
romântica: o índio, verdadeiro ícone da cultura
tradicional brasileira, concorre nessa primeira geração
de igual para igual com os sentimentos e as emoções
dos poetas brasileiros. O nacionalismo exaltado vai também
apreciar a beleza e a riqueza de nossas matas. Destacam-se os poetas
Gonçalves de Magalhães e principalmente Gonçalves
Dias, o nosso melhor poeta indianista.
Segunda geração
romântica: é a poesia do "mal-do-século".
Inspirados pelos poetas europeus, principalmente Lord Byron, nossos
poetas vão cantar os amores impossíveis, o desejo
pela morte, a indecisão entre uma vida de liberdade ou religiosa,
e a incompreensão do mundo, aliada ao desejo de evasão.
É o que Fagundes Varela chamou de "a escola de morrer
jovem". Destacam-se nessa segunda geração os
fervorosos versos do próprio Fagundes Varela, Álvares
de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire.
Terceira geração
romântica: é a geração dos poetas que
se cansaram de lamentar as angústias e os amores impossíveis.
Era hora de lutar para modificar o mundo que tanto reprimia o ser
e o condenava à morte e à constante fuga da realidade.
Os poetas dessa terceira geração sentem que é
mais do que necessário deixar o choro e a melancolia de lado
e se engajar numa luta social, tendo a poesia como espada afiada,
que tocava o povo no íntimo. Essa geração acabou
por ser denominada como "geração hugoana"
(por ter sido diretamente influenciada pelo poeta francês
Victor Hugo), e também "geração condoreira",
que tendo como símbolo o condor, sugeria que a poesia voasse
alto, falasse alto e causasse grande efeito enquanto a voz que toca
a massa. Seu maior representante foi Castro Alves.
Essa terceira geração,
na verdade, já era o início da transição
do Romantismo para o Realismo, em que a crítica social passa
a ser uma das características mais marcantes.
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MARCO
Obra
MISSAL E BROQUÉIS
(1893)
Autor
Cruz e Sousa (1861-1898)
CONTEXTO HISTÓRICO
O fim do século
XIX foi profundamente marcado pelo avanço científico
e a corrida desenfreada do capitalismo industrial em busca da tecnologia
e matéria-prima. Era também a busca de novas tendências
e caminhos, apesar de haver um certo pessimismo com relação
ao século vindouro, e o Brasil passou por mudanças
expressivas dentro de sua estrutura política, econômica
e social. A abolição da escravatura (1888) não
assegurou o direito de igualdade e civilidade aos negros, acentuando
o problema da miséria no país. Revoltas como a "A
guerra de Canudos" e a "Revolta da Armada" refletiam
o descontentamento com as condições sociais vigentes.
O império decadente deu lugar a uma república (1889)
que favorecia diretamente o sudeste do Brasil, com a política
do "café-com-leite" (domínio alternado de
presidentes mineiros e paulistas). As cidades, com seus centros
culturais e comerciais aos moldes da Europa (principalmente de Paris),
se preocupavam com o inchaço de suas periferias, onde estava
a miséria dos negros livres e das massas de imigrantes, provenientes
principalmente da Europa e Japão, e que surgiram para mudar
o perfil do povo brasileiro, principalmente no sul do país.
A industrialização, ainda em estado fetal, e a cultura
à moda francesa da elite contrastavam com uma nação
tipicamente rural e analfabeta que enfrentava os horrores das pestes
e epidemias como a febre amarela, dizimando milhares de pessoas.
CARACTERÍSTICAS
O Simbolismo surge
no final do século XIX como movimento de retomada de alguns
ideais do Romantismo, bem como de oposição ao Parnasianismo,
Naturalismo, correntes literárias apreciadas pela elite social.
Apesar disso, conserva algumas peculiaridades parnasianas, como
a estrutura dos versos, o vasto uso do soneto, e a preciosidade
no vocabulário. Sua poesia, no entanto, vai mais além.
Há a constante busca de uma linguagem mais rica, repleta
de novas palavras, com o emprego de novos ritmos que associem de
forma harmoniosa a poesia à música, explorando muito
o uso da sinestesia, das aliterações, ecos e assonâncias.
O poeta simbolista
não quer somente cantar e evocar suas emoções.
Ele quer trazê-las de uma forma mais palpável para
o texto, para que possam ser sentidas em sua plenitude. Por isso,
o uso da sinestesia, isto é, a associação de
impressões sensoriais distintas, é amplo. Há
também a forte ligação com as cores, ressaltando
as sensações que provocam no espírito humano.
A cor branca é sempre a mais presente e já sugere,
entre outras coisas, a pureza, ou o opaco, indiciando a presença
de neblina ou nuvem e tornando as imagens poéticas mais obscuras.
Obscuridade, aliás,
é uma forte característica simbolista: a realidade
é revelada de uma forma imprecisa e vaga. Não há
a preocupação de nomear os objetos, e sim evocá-los,
sugeri-los. É o emprego do símbolo, que liga o abstrato
ao concreto, o material ao irreal. Servindo como ponte entre o homem
e as coisas, o símbolo preserva o domínio da intuição
sobre a razão, bem como a exaltação das forças
espirituais e místicas que regem o universo, contrária
ao Cientificismo, ao Positivismo e ao materialismo naturalista e
parnasiano. É o culto ao sonho, ao desconhecido, à
fantasia e à imaginação, numa busca pela essência
do ser humano, com todos os seus mistérios, seu dualismo
(espírito e matéria) e seu destino frente à
vida e à morte.
A poesia, então,
ganha o tom subjetivista que a aproxima muito do movimento romântico,
disposto a explorar e sentir tudo o que há entre a alma e
a carne, entre o céu e a terra. O poeta se entrega muitas
vezes ao seu inconsciente e ao subconsciente para estar mais próximo
dos segredos que ligam o homem a Deus. Esse caminho, por vezes alucinado,
leva ao isolamento, à solidão, à loucura e
à alienação, evidenciando um clima mais pessimista,
mórbido e algumas vezes satânico. Rompendo com a linearidade
do texto, dando voz ao fluxo da consciência e trabalhando
de forma mais desarticulada a palavra e seu significado, o Simbolismo
antecipa características que seriam marcantes dentro do Modernismo.
No Brasil, o movimento
simbolista não alcançou o êxito obtido na Europa,
devido ao forte predomínio das tendências parnasianas
em nossa literatura. Entre os poetas simbolistas, destacam-se as
obras de Cruz e Sousa, autor de nossa primeira obra simbolista Missal
e Broquéis e Alphonsus de Guimaraens, o mais místico
de nosso poetas.
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Simbolismo
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